sexta-feira, 11 de junho de 2010

Uma pausa para o Chá!




Me dou muito bem com as plantas de um modo geral, e é com dedicação que cultivo o hábito de aprender com elas, como se assim pudesse desvendar os segredos guardados na terra e nas sementes. Na prática, este aprendizado me rendeu alguns frutos, alguma experiência, que gostaria de compartilhar com vocês.

Ter um jardim em casa é muito mais fácil do que parece. Mesmo se você mora num quitinete apertado e não leva muito jeito para lidar com espécies vegetais. Encontre uma com seu perfil, escolha um tipo de planta que combine com você, experimente. De cactos a violetas, de orquídeas a samambaias, a presença de vegetação pode tornar sua casa muito mais saudável.

Algumas plantas funcionam como filtros naturais da poluição doméstica, aquela que é gerada por produtos de limpeza, tabaco, fuligem etc. Ráfias, dracenas, filodendros cumprem bem esta função; também as trepadeiras como o jasmim e o guaco limpam o ar e perfumam o ambiente. Não é o máximo ?


Cultive chás e temperos


Várias espécies vegetais são usadas, há milhares de anos, para diversas finalidades: calmantes, estimulantes, cicatrizantes, antissépticos, anestésicos; para afinar o sangue, para encorpar a alma…

Dentre as mais comuns estão as mentas, o alecrim, o manjericão, o orégano, a camomila, a sálvia, o funcho, a pimenta; completamente incorporadas na nossa culinária. São de fácil cultivo embora precisem de muita claridade e, se possível, algumas horas de sol todos os dias. Podem ser plantados em vasos ou floreiras, até mesmo em embalagens reutilizadas, e depois transformadas em aroma e sabor, nas infusões e nos molhos.

A menta, ou hortelã, merece um vaso maior, bem drenado. Serve como estimulante estomacal, redutor de flatulências, vermífigo para crianças e ainda tem poderes de expectoração. Existem muitos tipos diferentes, com pequenas variações na intensidade, todas porém mantém sua característica refrescante.

Manjericão, orégano e manjerona: o trio tempero italiano não pode faltar na sua cozinha. O manjericão, ou alfavaca, é bastante resistente e não decepciona um jardineiro iniciante. Pega facilmente a partir dos galhos novos de plantas adultas, e pode viver até dois anos. Suas pequenas flores são visitadas por abelhas e sua ação antirreumática tem despertado o interesse de cientistas.

O orégano e a manjerona exigem um pouco mais de cuidado, devem ser podadas ou replantadas anualmente, após a floração; como o alecrim, não resistem a solos encharcados, espaços mal-ventilados e sem insolação.



Poderia passar horas discorrendo sobre as ervas e seus poderes medicinais, quase mágicos, mas na prática gostaria de incentivá-los a manter um jardim diversificado e útil, ao mesmo tempo, aromático e medicinal.

Devemos começar a valorizar o meio ambiente em nossas casas, cultivando a diversidade, e experimentando o contato com a terra. O resultado é descobrir o prazer ancestral de dar vida a uma semente, e depois, colher seus frutos.

Horta doméstica



Hortas, de um modo geral, exigem cuidado redobrado: terra adubada, espaço para o crescimento das raízes, e principalmente sol, muito sol. Comece com rabanetes, que dá para colher em 28 dias; pesquise sobre espécies que podem e devem ser plantadas no mesmo canteiro: alelopatia.

No meu sítio fiz uma experiência bastante gratificante plantando morangos e alho, na Sexta-Feira Santa, como manda a tradição. É incrível como este conceito interfere no desenvolvimento e na produção de cada indivíduo. Plantas amigas, inimigas, como assim? Mas é assim mesmo, basta botar reparo e você verá que existe uma relação entre elas, e cada vez mais este conhecimento vem beneficiar nossas colheitas. Atualmente, cultivo morango em vasos – com o frio estão prestes a florir –, aliás, ele é uma excelente opção para canteiros suspensos e ensolarados.

Para encerrar, vale saber que existe muito mato comestível por aí, destaque para as nativas beldroega, azedinha e serralha. Ricas em ferro, rústicas até não poder mais, hoje em dia quase não se conhece. A serralha, por exemplo, nasce em abundância nas calçadas mal-cuidadas, é rica em vitaminas A, D e E, além de fortalecer o sistema nervoso. O mesmo vale para a azedinha e a beldroega, ingredientes da culinária caipira tradicional que beneficiam a nossa saúde.


E certamente porque as ervas fazem tão bem para saúde que os laboratórios investem em pesquisar seus princípios ativos, para sintetizá-los em medicamentos, patenteando o conhecimento dos nossos antepassados e cobrando royalties por isso.

Biopirataria
Este assunto é tão grave que não pode ser tratado em um parágrafo, então deixo aqui apenas uma menção, uma sementinha, para que se dê o devido valor à riqueza da diversidade que a flora brasileira oferece, antes que laboratórios estrangeiros o façam.

Exemplos de registros de marcas e patentes dos nossos recursos estão em toda parte: quebra-pedra, cupuaçu, espinheira-santa, açai, curare. É fundamental considerar a proteção da diversidade genética do nosso país como uma prioridade, e para isso é necessário que a conservação ambiental seja encarada com seriedade, por todos nós.

Fonte: Meio Ambiente-Carol Ribeiro
Ilustração: Edna MarS*

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